Quero registrar a
honra de ter em minha cidade a médica Adriana Melo.
A vencedora do #PrêmioCLAUDIA2016, na categoria CIÊNCIAS, é a especialista em
medicina fetal ADRIANA MELO. Ela comprovou a relação entre infecções por zika e
malformação em bebês. Ao receber o prêmio, Adriana o dedicou às mães "que
continuam a ser tratadas como números. Essas famílias tem nome e rosto, não
podemos continuar tratando-as assim."
A médica Adriana Melo tem 45 anos e trabalha há 16 no setor de
medicina fetal do Isea, a principal maternidade pública de Campina Grande.
Entre outubro e novembro do ano passado, compartilhou a angústia de duas
pacientes grávidas de bebês que nasceriam com microcefalia. A ela a medicina
deve o estabelecimento da relação entre o vírus zika e a má formação do cérebro
de milhares de crianças. Não é pouca coisa, nem foi fácil.
Desde agosto, médicos do Nordeste quebravam a cabeça para saber
o que estava acontecendo, e a rede pública de Pernambuco alertou para a
suspeita da conexão entre o vírus e a anomalia nos bebês. Adriana Melo
suspeitou que se estava diante de um novo padrão de microcefalia: “Eu nunca
tinha visto casos de destruição do cérebro dos fetos com tamanha virulência”.
Doutora
Adriana tem doutorado pela Unicamp, seu salário é de R$ 3.800 mensais por 20
horas de trabalho semanais. Com bonificações de produtividade pode chegar a R$
6 mil. Mantém uma clínica privada onde ganha mais trabalhando menos. A maternidade
do Isea só atende pelo SUS (sem segunda porta), e na equipe de medicina fetal
há quatro médicos. Desde que ela saiu por aí para confirmar a relação entre o
zika e a microcefalia, recebeu críticas, muxoxos e silêncios. Ajuda, só da
prefeitura da cidade e do fabricante de equipamentos Samsung, que doou um
aparelho de ultrassonografia à maternidade. A rede pública de Campina Grande
(680 mil habitantes) não tem máquina de ressonância magnética. Quando lhe
perguntam o que precisa para facilitar seu serviço no Isea, responde: “Recursos
para pesquisas”


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